
Mas o pior de tudo, é que eu sabia que o motivo daquilo tudo era você. Sabia o quanto me doía te ver tão distante, e sabia o quanto você estava se importando com isso, e era minimamente.
No meu íntimo ainda via a história de outro jeito, ainda via teu sorriso, ainda sentia teu cheiro e quando abria os olhos era um vazio que estava a minha frente. Vago, sombrio e às vezes me dava vertigem.
- [...] Chega desse vazio constante! Chega de dúvidas, de rabiscos e rascunhos. Chega de dor e chega dessa música que está tocando repetidamente! – a minha voz rouca e agora melodramática ao som do choro pronunciava, mesmo que ninguém estivesse por perto.
O cinza do inverno se espalhara pela cidade e com isso, tudo se tornava mais triste, e ainda sim, eu estava na janela, contemplando o meu próprio drama. Encarava minhas mãos cobertas pelas luvas pretas e sabia o quanto estava escondida. De mim mesma talvez. Só não suportava mais me ver. Me ver daquele jeito.
Mas era a última medida a ser tomada. Era o último dia do inverno e eu ainda nem havia me despedido da estação anterior. Precisava juntar ainda as folhas do outono, varrer toda aquela tristeza fria da minha vida e dar boas vindas às novas estações, as novas cores. Correr sem linha de chegada, abraçar novas oportunidades, sorrir com sinceridade e confiança. Era justamente do que se tratava. Era justamente o remédio destas feridas. Mas ainda sim preferi guardar, toda aquela melancolia, em um baú. Para que mais tarde pudesse abri-lo, e remoê-las.
Escrito por: Gabrielle Pires Silva (Tequila)
