Pedro Nigro: Queria saber mais sobre sua visão política, socialismo ou capitalismo? Por que?
Entrevista feita por Pedro Nigro com Gabrielle Pires, dona do blog.
Entrevista feita por Pedro Nigro com Gabrielle Pires, dona do blog.


Quero colo. Estou de malas prontas. Pensava em fugir de casa. Quando reparei, queria mesmo era fugir de mim. Fugir do que guardei, fugir de quem fui. Não vou desfazer as cicatrizes, elas são parte do que sou.
Quero que o cheiro doce das flores invada meu quarto, me faça desistir de fugir de novo. Quero só um colo. Um mimo. Quero que alguém desfaça minhas malas e peça para que eu não fuja. Quero ficar, quero ter motivos pra estar.
Não penso mais nessas coisas de solidão. Minha casa me deixa sozinha. Quero um lar. Quero não ter mais essas marcas, não quero mais sentir a minha pele queimando enquanto eu sopro.
Estive errando, troquei os passos. Não quero que me digam que eu estava errada. Não quero que me apontem, não quero que me firam. Nem mesmo que me vejam ferida. Por isso pensei em fugir.
Não tenho para onde ir, pensei em bater a sua porta. Voltei no meio do caminho. As malas estão realmente pesadas, estou partindo para longe. Não posso correr, não posso andar depressa. É difícil agüentar a bagagem. Afinal, pra que tanta bagagem? Nem mesmo tenho planos. Só não quero encarar mais minha bagunça, meus rabiscos na última folha do caderno. Só não quero encarar mais a minha carência em frente ao espelho.
Quero colo, quero consolo. Quero que a chuva caia e disfarce meu suor e minhas lágrimas. Quero deixar as malas no chão e finalmente correr. Você levaria as malas pra mim?
Escrito por: Gabrielle Pires Silva


Eu estava caindo. Eu podia perceber o quão alto era. Eu caía devagar para que talvez repensasse tudo que fiz. Ou talvez só para que sentisse mais medo mesmo. Meus cabelos sobre meu rosto, o vento forte. Definitivamente eu estava longe do chão ainda, porém mais perto do que eu gostaria. O engraçado, é que de tão vagarosa esta queda, eu estava começando a me adaptar com a sensação. Não que fosse boa, claro. Só não sentia mais tanto medo.
Sabia exatamente o que me esperava: o chão. Sentia frio, mas já estava arrepiada só com a idéia de cair. Fechei os olhos. Lembrei de tantas coisas. Me arrependi, me culpei, me puni. Sorri sozinha enquanto lembrava o que valeu a pena. Nada de tocar o chão. Meu coração acelerando novamente. Sabia que não teria ninguém e nenhuma fortaleza me esperando. E mesmo se tivesse, seria inútil. Abri os olhos. Angustiante. Eu já via o que me aguardava. Mordi os lábios. O estômago se contorceu. Lembrei de quando você me avisou que isso aconteceria. Mais uns dois segundos e por mais surpreendente que possa parecer, finalmente cheguei ao meu destino final. Caí.
Toquei ao chão com meu corpo cansado de tanta adrenalina. E, mesmo sendo a última coisa que eu aprendi, nestes últimos segundos, tive a certeza de que é melhor concretizar algo por pior que seja, do que prolongar a incessante sensação de medo e sofrimento.
No final, foi apenas o susto da queda. Depois dormi, como um anjo.
Escrito por: Gabrielle Pires Silva


Encontre. Alguém que faça seu coração bater mais forte. Não procure, porém encontre. Alguém que mesmo por vezes te fazendo sentir medo, seja seu porto seguro. Proteja-se das armadilhas. Esteja atento aos sinais, mas não transforme pequenas coisas em “pseudo-pistas”. Encontre. Aquele que fará a palavra amor parecer tão simples que o fará pronunciá-la mais. Desencontre para poder encontrar de novo até que não hajam mais desencontros. Dê mais indiretas. Aceite as diretas. Encontre alguém que pode ficar horas te ouvindo falar sem cair no tédio e alguém que não durma enquanto não te fizer sorrir. Guarde o que for dito. Não esqueça os detalhes. São eles que te farão descobrir se já encontrou. Tenha certeza. Se não tiver, procure ter. Se ainda sim não tiver, descarte. Encontre o que há de mais bonito naquele rosto, procure os detalhes. Esteja atento, minucioso. Não se perca enquanto encontra, não procure, não corra atrás, apenas, encontre.
Escrito por: Gabrielle Pires


Sempre fugindo. Correndo pra trás mesmo querendo estar à frente. Sempre com medo. Sempre tão relutante contra si mesma. Sempre tão contraditória. A fuga, a melhor solução. Encarar a si mesma sempre foi o mais difícil. Se esconder debaixo de suas cobertas era cada vez mais prático, rotineiro. Mesmo quando tudo parecesse tão certo, ainda sim haveria aquela adrenalina correndo em suas veias, então, a única medida tomada, seria mesmo virar as costas, não dar adeus a ninguém e partir, quase que correndo, atropelando os próprios sentimentos. Até esbarrar com você.
Sem aviso prévio, quase que se desculpando apenas por correr. Quase te ferindo com seu passar tão depressa. Sem um olhar fixo. Uma pequena pausa para repouso finalmente. Apenas por um esbarrão. Coincidentemente ficaria parada ali, por muito tempo.
Escrito por: Gabrielle Pires Silva


O mundo te faz sentir pra baixo.
Eles dizem que você é descartável.
Eles te fizeram sentir como se estivesse caindo.
Há alguém para te reerguer.
Há alguém que vai acreditar na sua superação.
Este alguém é você.
Mas esse ‘você’ ainda está incluso, está se descobrindo.
E então, enquanto isso,
Você vai se sentir derrubado pelas opiniões.
Pela dor, pela humilhação.
Até que se descubra, irá doer, irão te ferir.
Te farão sentir como se não fosse importante, e acredite, você é.
Eles prezam pelo que acaba em instantes.
Pela beleza, pelo dinheiro, pelas influências.
Eles não sabem quem é você.
Eles perderam a chance. Que pena.
Cheios de pose, de posses, de pompas. Cheios de medo.
Medo de perderem a boa fama, de serem o próximo ‘você’ da vez.
Acredite quando eu digo, e repito: Eles têm medo.
Fazem-te o único meio de se sentirem maiores.
Você, ao chão, permite.
Escrito por: Gabrielle Pires Silva


Acostume-se. Existem coisas insuperáveis. Não que você não vá se reerguer diante delas, nem que você não vá conseguir dar a volta por cima. Você só simplesmente não vai superar. Não por completo. Sempre haverá uma ausência, uma falta e um sorriso quebrado.
Acredite. Isso não te faz fraco. Isso sim te faz forte. Ainda que não tenha superado um acaso, ainda que não esteja total e completamente satisfeito com uma situação, arrumar um meio de ser feliz, por um outro caminho, com uma outra alternativa. Afinal, talvez deixar o incurável em segundo plano, talvez seja a única opção.
Escrito por: Gabrielle Pires
