Uma metade sem outras partes. Desencontrei-me das partes que me encaixam, do que me preenche e me tornei a única pessoa sem outra metade.Vago na estrada mais longa sem nenhuma perspectiva de chegada, sem saber a hora da parada. Afinal onde está o meu lugar?
Ao lado de novos sorrisos, novos corações e novas aventuras, palpito uma chegada. Penso descobrir o que ansiei, mas logo perco-me novamente no vazio que não me preenche, não me invade, mas me faz companhia.
Trem sem trilho, que não tem destino nem caminho, como poderás percorrer o trajeto que não lhe foi proposto? Desgoverna, acelera, se perde, não chega a lugar nenhum.
Uma metade sem outra metade. Uma moeda só com cara, sem coroa, eu me sinto como um furacão de ventos contrários.
Nem sonhos, nem pesadelos. Não me lembro de dormir e acordar com gosto de um sonho bom. Acho que nem sonho mais. Quase me afundo na realidade tentando acreditar que faça algum sentido, mas onde mais eu poderia encontrar um sonho se não na vida real?
Nessa ganância sem conquistas, me sinto sozinho de novo. Me completo das metades dos outros, me divido mais do que me multiplico, permaneço sem rumo e destrilhado, desgovernado numa rota perdida. Me objetivo a ter objetivos e acabo me perdendo sem nunca ter me encontrado.












