
A espera faz ser único o momento. Por menor e mais insignificante que ele seja. Dá mais valor a um fato, do que ele realmente possuiria em suma.
Aquele que espera, que aguarda, anseia um desejo, uma expectativa, traceja pequenamente seus próprios atos enquanto imagina, delirando em realizações mentais.
A espera é o ato de anteceder um acontecimento na mente, focando os olhos em direção às janelas, aos relógios.
A espera que nunca chega, a espera de uma vida, de um sorriso. A espera de um milagre. De um encontro, de um sonho ou de uma noite de amor [...] A espera sempre está por vir, mas é tão presente que quase se sente vivida.
A espera é a ansiedade do crime que cometerás, um plano que cumprirás, do embrulho que abrirás revelando presentes e surpresas. A espera é por mais um ano de vida, ou pelo tempo que leve a dor embora.
Sempre esperando, tentando adiantar o tempo e imaginando que a espera nos leve a parar de esperar, só aproveitar o esperado acontecido. E porque não o inesperado?
A espera faz de tudo um pouco mais permanente, mais vívido na memória. A espera nunca acaba. Esperamos sempre mais um pouco de tudo, um pouco mais da vida.
E a cada pausa, a cada novo segundo, esperamos uma nova espera.
Escrito: Gabrielle Pires Silva
