Passei os dedos nos teus cabelos emaranhados e lembrei de quando te conheci. Teus olhos amendoados não me deixam mentir a intensidade que o seu olhar impactou desde a primeira espiada avaliativa que te dei.
Alisei teus cachos com os dedos e senti nos teus cabelos a espessura da saudade daquela época, de nós dois tão simples falando sem parar.
Enquanto te fazia um simples gesto de carinho, te fazendo cochilar entre meus desabafos secretos, você acordava entre uma palavra e outra que já não fazia mais sentido, meio em transe entre o que estava começando a sonhar e a realidade que estava desabitando. Eu falava mesmo sem parar.
Lembrava da tua barba mal feita e das suas roupas surradas. O cheiro delas. Eu podia descrever todos os detalhes enquanto você oscilava entre me ouvir e tolamente cochilar. Você nunca aguentou mesmo muito tempo sendo acarinhado pelos cabelos.
Começo a rir sentindo que estou monologando e desabafando mais comigo do que com você, como se você já nem estivesse mais aqui. Afinal você nunca esteve tão aqui.
Sorrio, guardo meus carinhos e te deixo dormir, te deixo livre de mim.
Escrito por: Gabrielle Pires Silva
